Greve dos caminhoneiros nas rodovias de SC deve seguir nesta quarta-feira

23/05/2018 08:12:00

O número de pontos com manifestações dos caminhoneiros autônomos contra a alta do preço dos combustíveis aumentou em Santa Catarina. Dados levantados pelas polícias rodoviárias, que monitoram os protestos nas BRs e SCs que cortam o Estado, mostram que de segunda-feira para terça-feira o número de trechos com manifestações chegou a pelo menos 48. Na segunda-feira à noite, eram 17 pontos com protestos. Os atos ocorrem nas BRs 101, 282, 470, 280 e 116, e também em pelo menos 14 SCs.


Diferentemente da segunda-feira, quando pneus chegaram a ser queimados em uma das rodovias, a única ocorrência registrada nesta terça-feira foi na BR-101, em Imbituba, no Sul do Estado, onde os caminhoneiros interromperam por completo o trânsito, por volta das 8h, e carros, motos e ônibus precisaram usar a via marginal.

A orientação da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que convocou a paralisação na última semana, é de que os motoristas sigam sem rodar até que o governo atenda aos pedidos da categoria: isenção de impostos para o diesel, implantação de uma política de redução dos impostos sobre os combustíveis e também o controle do aumento.

Até esta terça-feira, os caminhoneiros permitiam que veículos transportando alimentos perecíveis e carga viva passassem pelos bloqueios. No entanto, em vídeo, o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, disse que essa conduta pode ser revista caso as negociações não avancem. A associação calcula que cerca de 200 mil caminhões estejam parados em 20 Estados desde o começo da semana. 

Em Santa Catarina, onde o movimento é apoiado pela Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística (Fetrancesc), as consequências da ausência dos caminhões nas ruas já começam a ser sentidas na avicultura, indústria e também no abastecimento de postos. 

O presidente Fetrancesc, Ari Rabaiolli, admitiu em entrevista à Rádio CBN Diário que há risco de desabastecimento nos próximos dias caso a manifestação continue. Desta forma, ele diz que é essencial a aceleração da negociação entre governo federal e manifestantes para evitar que mais caminhões fiquem retidos nos bloqueios das rodovias:

— É difícil você mandar um caminhão para a estrada porque a qualquer momento pode se formar um bloqueio e haver um confronto entre manifestantes e o nosso colaborador. Na segunda-feira, tivemos uma quantidade menor de manifestantes, que agora cresceu. Então, para preservar a integridade do motorista, a gente tem orientado para não sair. Aí acaba daqui a pouco tendo o problema de desabastecimento. 

Oeste do Estado é a região mais afetada

As consequências da greve dos caminhoneiros começaram a ser sentidas pela manhã e se agravaram ao longo do dia em Santa Catarina. No Oeste, ainda nas primeiras horas do dia, o bloqueio de veículos pesados na SC-155 deixou alguns estabelecimentos sem gasolina e diesel. Já outros passaram a limitar a compra a R$ 50 por pessoa. 

— Temos cerca de 50 postos que recebem (o combustível), mas não está chegando. Se não chegar mais, dura quatro a cinco dias. Se tiver uma corrida aos postos, não dura dois dias — avalia o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Chapecó (Sindipostos), Asilir Dallacort.

O agronegócio também já enfrenta dificuldades em seguir funcionando normalmente no Oeste do Estado. No fim da tarde, a Aurora Alimentos anunciou que, por causa da greve dos caminhoneiros, todas as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos serão suspensas na quinta e na sexta-feira em SC, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. 

Sem a passagem dos caminhões, explica a empresa em nota, não é possível transportar todos os insumos necessários e também não há como escoar os produtos acabados para portos e centros de consumo. Ao todo, sete indústrias de aves e oito de suínos ficarão fechadas, e cerca de 28 mil trabalhadores diretos serão dispensados temporariamente.

Por meio de nota, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) reconheceu que a mobilização traz, rapidamente, implicações para a indústria e varejo, e afirmou que "espera que governo e caminhoneiros cheguem a uma rápida solução para o impasse". A entidade ainda alertou que "haverá impacto no fluxo de produção, comprometendo a conservação de produtos perecíveis, o cumprimento de prazos contratuais internacionais e o atraso no abastecimento do mercado interno".

Fonte: diario Catarinense

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  • Autor: Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina