Juiz manda fazer estudo psicossocial para analisar cuidados a bebê de SC que recebeu doações

09/03/2018 10:06:00
Equipe de psicólogos do Fórum da cidade vai à casa da família. Pais são suspeitos de usar dinheiro de campanha para bancar luxos.

A Vara da Infância e Juventude de Joinville, no Norte do estado, determinou a realização de um estudo psicossocial para analisar os cuidados dados ao bebê Jonatas, de 1 ano, cuja família arrecadou milhões de reais durante a campanha AME Jonatas, como mostrou o Jornal do Almoço desta quinta-feira (8). Os pais são suspeitos de usar o dinheiro das doações para bancar luxos.

 

A decisão é de quarta (7). Uma equipe de psicólogos do Fórum vai até a casa da família para ver quem está morando no local e se há toda a estrutura que a criança precisa. A defesa dos pais de Jonatas afirmou que não comenta o caso.

 

Em 1º de março, o juiz Márcio Renê Rocha, da Vara da Infância e da Juventude, expediu um despacho que estabelece quais gastos podem ser custeados pelos recursos arrecadados com a campanha AME Jonatas

Rocha decretou em 23 de fevereiro o fim do segredo de Justiça no processo que investiga o uso do dinheiro arrecadado pela campanha.

 

A criança sofre de Atrofia Muscular Espinhal, uma doença degenerativa. As doações foram pedidas para pagar a primeira parte do tratamento. Depois das suspeitas do uso indevido do dinheiro, a Justiça bloqueou os recursos nas contas bancárias.

Na casa da família, os policiais apreenderam em 1º de março vários objetos de valor elevado, como as alianças do casal, avaliadas em R$ 9 mil, e o carro da família que custou R$ 140 mil, conforme a polícia.

 

Recursos da campanha

No despacho de 1º de março, o juiz declarou que o aluguel da casa onde vive a família não deve ser pago com recursos de doações para o tratamento de Jonatas, “ainda que garanta a moradia do menor, entendo que tal despesa, em tese, deve ser suportada integralmente pelos pais”, afirmou.

Ainda de acordo com Rocha, os gastos com alimentação, internet, tv a cabo, telefone e gasolina da família devem ser pagos pelos pais da criança. “A campanha não pode 'bancar' as despesas do casal!”, declarou.

 

"Apenas as despesas de água e luz [R$ 1.600,00] podem ser custeadas pela campanha", considerou. A Justiça não esclareceu o porquê deste gasto elevado.

 

O magistrado pediu também a investigação dos recursos usados na aquisição do veículo comprado durante a campanha. O juiz diz ainda não descartar uma futura "alienação antecipada" do veículo, para custear parte das despesas do tratamento, pois o carro estaria servindo apenas para o uso dos pais da criança.



Fonte: G1 SC

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  • Autor: (Foto: reprodução NSC TV)

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