Análise: vitória e vaga do Santos no sufoco têm dose de sorte e contragolpe mortal

11/08/2017 09:49:00
"Corpo fechado", Vanderlei inspirado e miolo mais compacto ajudam o Peixe na Libertadores. Mas o time não pode nem precisa sofrer tanto, por mais que jogue com vantagem do primeiro duelo

O Santos entrou em campo para enfrentar o Atlético-PR, na última quinta-feira, pela Libertadores, com excelente vantagem trazida do jogo de ida (3 a 2). Isto explica a postura reativa ou a tentativa, ao menos, de executá-la. O problema foi acreditar que apenas deixar o tempo passar bastaria para confirmar a vaga. Ela veio e com nova vitória, por 1 a 0. Mas, definitivamente, o resultado não traduz a realidade do confronto.

 

O Peixe contou com enorme dose de sorte, competência de Vanderlei e um raro contragolpe bem executado. Deu certo desta vez. Mas pode não ser o suficiente na briga pelo seu quarto título do torneio.


O maior problema dos santistas no primeiro tempo foi a distância entre as linhas e o buraco que isso deixou – muito bem ocupado pelo Furacão.


Alison e Yuri precisavam recuar mais para buscar a bola. Não o fizeram e, invariavelmente, esperavam pelo passe já à frente da linha central do campo. Com isso, o Atlético-PR avançou simplesmente seis peças, conforme é possível ver no campinho acima. Além de sufocar o Peixe, o Furacão matava qualquer tentativa de contragolpe, a principal razão de ser da tática idealizada por Levir Culpi para o confronto.


Com linhas bem mais próximas, o Atlético-PR não só se recompunha rapidamente na marcação como a saída de jogo era mais tranquila.


Além de Jean Mota recuar quase até os zagueiros para buscar a bola, Alison também apareceu mais para servir de opção. O Peixe melhorou bastante e achou o seu gol em um contragolpe, enfim, bem articulado.


Aqui é bom ressaltar: o gol saiu aos 32 do segundo tempo, quando o Atlético-PR já havia acusado o cansaço. Afinal, seria impossível manter tamanho volume de jogo durante 90 minutos.


Mas só isso explica o placar? Claro que não. Vanderlei ainda precisou trabalhar bastante – foram cinco intervenções difíceis ao todo –, Jonathan cabeceara uma bola na trave pouco antes do gol de Bruno Henrique, Guilherme perdeu chance incrível dentro da área...


É onde entra a dose de sorte do Santos, o único time invicto ainda nesta Libertadores. Repito: a vaga, o resultado, tudo isso merece e deve ser comemorado. E é natural, em um mata-mata, a equipe que larga com vantagem "jogar com o regulamento debaixo do braço", como se diz. Mas o Peixe não pode nem precisa sofrer desse jeito. Que sirva de lição para as partidas contra o Barcelona de Guayaquil, pelas quartas de final.

Fonte: Globoesporte.com

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