Warning: mime_content_type(/home/u210603454/public_html/public/uploads/noticias/e0b29425822d0397c047abca85922005.jpg): failed to open stream: No such file or directory in /home/u210603454/public_html/module/Jornal/view/layout/jornal.phtml on line 55

Warning: getimagesize(/home/u210603454/public_html/public/uploads/noticias/e0b29425822d0397c047abca85922005.jpg): failed to open stream: No such file or directory in /home/u210603454/public_html/module/Jornal/view/layout/jornal.phtml on line 56

Novo coronavírus é descoberto em amostra de esgoto de novembro de 2019 em Florianópolis, diz UFSC

02/07/2020 18:01:00
Resultado foi divulgado nesta quinta-feira (2). Pesquisadores dizem que, até o momento, essa é a amostra mais antiga do novo coronavírus nas Américas. Uma versão preliminar do artigo foi distribuída pelo site MedRxiv, segundo a Universidade Federal de Santa Catarina. O estudo ainda será avaliado por pares.

Pesquisadores de duas universidades e de uma start-up afirmam ter descoberto partículas do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em duas amostras do esgoto de Florianópolis colhidas em 27 de novembro de 2019. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (2) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O primeiro caso clínico da Covid-19, infecção provocada pelo vírus, foi relatado no Brasil em janeiro deste ano.

 

A descoberta consta da pesquisa SARS-CoV-2 in human sewage in Santa Catarina, Brazil, November 2019, de pesquisadores da UFSC, da Universidade de Burgos (Espanha) e da start-up BiomeHub.


Uma versão preliminar do artigo foi enviada para a plataforma MedRxiv na sexta-feira (26), segundo a UFSC. Essa plataforma reúne pesquisas ainda não divulgadas em revistas científicas, ou seja, que ainda não foram revisadas por outros cientistas que fazem parte dos comitês das publicações.


Conforme o estudo, até o momento essa é a amostra mais antiga do novo coronavírus nas Américas. Embora a primeira descrição do vírus seja de 31 de dezembro de 2019, pesquisas semelhantes constataram que já havia SAR-CoV-2 no esgoto de Wuhan, na China, em outubro, e na Itália, no início de dezembro.


"O vírus circulava antes mesmo de termos ciência sobre a sua rotina em pacientes ou em humanos, sejam assintomáticos ou sintomáticos. É justamente isso", disse Gislaine Fongaro, do Laboratório de Virologia Aplicada da UFSC, uma das pesquisadoras envolvidas no trabalho.


Como foi feita a pesquisa

A pesquisa envolveu diversos departamentos da universidade catarinense. Foram analisadas amostras congeladas de esgoto bruto -- que tinham sido coletadas por outros estudos dentro da universidade -- do final de outubro do ano passado até o início de março de 2020. A ideia dos pesquisadores era investigar o material como ferramenta epidemiológica.


"Trabalhar com amostras de esgoto é uma rotina, sempre se deixam amostras reservadas um banco de amostas em vários laboratórios. Esse local em específico é esgoto bruto da rede pública da região central de Florianópolis", falou Maria Elisa Magri, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental.


As amostras entre 30 de outubro e 6 de novembro não apresentaram traço de Sars-CoV-2. A carga da coleta de 27 de novembro foi de 100 mil cópias de genoma do vírus por litro, valor considerado baixo pelos pesquisadores. Novas amostras deram positivo em quantidades mais elevadas em 11 de dezembro e 20 de fevereiro. Em 4 de março, a carga de Sars-CoV-2 chegou a um milhão de cópias de genoma por litro de esgoto.


Conforme Gislaine, foram feitos testes com base em quatro marcadores para o genoma do vírus. Para cada amostra foram realizadas, pelo menos, oito testagens.


"A princípio, se fez para o primeiro, viu que se tinha uma positividade, vamos fazer uma conferência e aí foi realizado para outros marcadores. Uma enzima de codificação viral, uma outra porção que codifica para uma proteína spike, que é bem famosa em função da mutação do Sars-CoV-2, uma outra porção que codifica para uma proteína de envelope do vírus, e um outro fragmento de núcleo capsídeo", explicou.


Após essa etapa no Laboratório de Virologia Aplicada, foi feita nova extração do material genético original para testes no Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da UFSC. Depois, os fragmentos foram sequenciados, com o resultado ficando pronto nesta quinta. Para a pesquisadora, os resultados são seguros.


"Não considero mais preliminar. Quando tivemos os testes repetidos, confirmados, interlaboratorial e agora com sequenciamento, não se trata de resultado preliminar. Se tratam de resultados confiáveis e a certeza que isso é isso mesmo. Claro que esse trabalho tem perspectiva de a gente fazer sequenciamentos, do genoma total, de fazer, quiçá, outras coletas, inclusive agora que estamos com um número mais conhecido de casos positivos", disse Gislaine.


A BiomeHub, start-up de Florianópolis com laboratório envolvido na pesquisa, é responsável pelo sequenciamento metagenômico. Nesse caso, foi recebida a amostra do esgoto, extraído o DNA e transformado em RNA, por ser um vírus de RNA. Depois, o sequenciamento.


A ideia da start-up é saber, por meio de análise biocomputacional com base em informações de banco de dados públicos, se a cepa identificada no esgoto é a mesma que circula neste momento em Santa Catarina.


Os pesquisadores afirmam não haver motivo para preocupação com contaminação pelo esgoto, porque ele é uma representatividade do que já tem na população.

Fonte: G1 SANTA CATARINA

Imagens


  • Autor: Foto: Daiane Mayer/ Agecom/UFSC Como foi feita a pesquisa