Médico é investigado em SC suspeito de fraudar exames em hospital público

07/11/2018 09:36:00
Ele adulterava laudos antigos colocando nova data. Com isso, ele criou um falso aumento de produtividade para elevar o próprio salário.

Um médico está sendo investigado por suspeita de fraude em exames no Hospital Tereza Ramos, em Lages, na Serra. Conforme a direção da unidade, ele alterava laudos antigos com uma nova data. Com isso, ele criou um falso aumento de produtividade para elevar o próprio salário.

A direção do hospital calcula que pelo menos R$ 180 mil foram embolsados por ele com esta fraude, mas o valor pode chegar a R$ 300 mil. O médico Adair Penso foi procurado pela reportagem mas não atendeu as ligações.

O Conselho Regional de Medicina disse que tomou conhecimento das investigações ao ser procurado pela imprensa. Informou que abriu uma sindicância para avaliar a possível responsabilidade do médico, o que pode resultar em um processo disciplinar a ser julgado pelo tribunal do conselho.

Suspeita

As fraudes partiriam da sala de radiografia do hospital. O médico era responsável pelos laudos de tomografia e ressonância magnética.

A direção disse que foram três anos adulterando exames para embolsar dinheiro público de forma irregular. Nesse período, foram quase 1,5 mil laudos falsificados, a maioria de oncologia.

Um exame feito dois anos atrás, por exemplo, tinha a data alterada para parecer feito de novo. Assim, o médico conseguia aumentar a produção e receber mais. Ele chegou a ganhar o dobro do salário: quase R$ 50 mil.

Houve casos em que a data do atendimento é a mesma, somente a data do resultado do exame é mudada.

Descoberta

As fraudes foram descobertas durante uma auditoria interna, segundo a diretora do hospital, Beatriz Montemezzo: "Foi constatado que nós estávamos com a [aparelhagem de] ressonância magnética quebrada e existiam laudos de ressonância e foi questionado ao medico e ele não manifestou nem sim e nem não. Imediatamente a gente solicitou que ele esclarecesse os fatos e no outro dia ele acabou exonerando".

O médico foi exonerado em junho e responde a um processo disciplinar. Quando terminar, o caso deve ser encaminhado para o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e ele pode ter de devolver o valor embolsado.

A diretora do hospital disse que mesmo tendo usado informações de pacientes, as fraudes não chegaram a prejudicá-los: "Assim que nós constatamos essa situação também, imediatamente o nosso sistema de informática, junto com a Secretaria de Estado da Saúde, em Florianópolis, buscou maneiras de retornar ao exame original para que nenhum paciente tenha ou obtivesse um prejuízo com relação a esse laudo com data adulterada".

 

Fonte: G1 SC

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